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Leilão da Cedae arrecada R$ 22,69 bilhões

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Dos R$ 10,6 bilhões de outorga mínima exigidos, 80% vão ficar com o estado. Dos eventuais ágios, metade será destinada aos cofres públicos estaduais e o restante, aos municípios

SÃO PAULO e RIO — O leilão da Cedae , em três dos quatro lotes em disputa, R$ 22,69 bilhões em outorgas. A Aegea, hoje a segunda maior operadora privada do país, é a grande vencedora, tendo levado os blocos 1 e 4. O Bloco 3 não teve interessados.

O Bloco 1, formado pela Zona Sul do Rio de Janeiro e mais 18 municípios do estado, é considerado o mais atrativo e foi o único a receber propostas dos quatro consórcios habilitados a participar do certame. A Aegea disputou o ativo com outros três consórcios, ofereceu outorga de R$ 8,2 bilhões, o que representa um ágio de 103,13% em relação ao previsto no edital.

A empresa levou ainda o Bloco 4, que inclui as regiões Centro e Norte do Rio e mais oito cidades com alta densidade demográfica, como Nova Iguaçu, Belford Roxo, Duque de Caxias e Nilópolis. A outorga mínima era de R$ 2,5 bilhões. Também fizeram ofertas os grupos liderados pela Equatorial Energia e pela BRK.

Acompanhe a transmissão do leilão:

 

Já o Bloco 2 ficou com o consórcio liderado pela operadora Iguá. O lote é formado pelos bairros da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, na Zona Oeste da capital, e mais dois municípios. O grupo, que disputou o ativo com outros dois consórcios, ofereceu outorga de R$ 7,286 bilhões, o que representa um ágio de 129,68% em relação ao previsto no edital. O lote também era considerado atraente e recebeu ofertas de três consórcios habilitados a participar.

A BRK Ambiental, atualmente a maior operadora privada de saneamento do país, fez ofertas conservadoras para os blocos 1, 2 e 4, e não conseguiu nem disputar com os demais grupos no viva-voz.

Leilão do ano : Confira como será o pregão da Cedae, o maior projeto de privatização na área de saneamento do país

Bloco 1 O valor mínimo de outorga era R$ 4,036 bilhões

Vencedora: Aegea – R$ 8,2 bilhões (ágio de 103,13%)

Outras ofertas:

Iguá – R$ 8,1 bilhões

Redentor (liderado pela Equatorial) – R$ 8 bilhões

Rio de Janeiro Mais (liderado pela BRK) – R$ 4,156 bilhões

Bloco 2 O valor mínimo de outorga era R$ 3,172 bilhões

Vencedora: Iguá – R$ 7,28 bilhões (ágio de 129,68%)

Outras ofertas:

Redentor (liderado pela Equatorial) – R$ 4,511 bilhões

PUBLICIDADE Rio de Janeiro Mais (liderado pela BRK) – R$ 4,758 bilhões

A história da Cedae em imagens A favela de Manguinhos cresceu em volta de adutora da Cedag, que atualmente é a Cedae Foto: Athayde dos Santos / Agência O Globo – 19/01/1966 Obras da ainda Companhia Estadual de Águas da Guanabara (Cedag), empresa que antecedeu a Cedae. Foto: Arquivo / Agência O Globo – 19/01/1966 O então governador da Guanabara Raphael de Almeida Magalhães inspeciona usina de alto recalque do Guandu, que havia sido inundada em consequência do rompimento da segunda adutora de Lajes Foto: Arquivo / Agência O Globo – 20/05/1964 Operários concluindo a concretagem do segundo bloco e dando os últimos retoques na soldagem de nova adutora do Guandu, para poder abastecer alguns bairros do Rio Foto: Arquivo / Agência O Globo – 19/01/1966 Carlos Lacerda, então governador do estado da Guanabara, visita a construção da adutora do Guandu, no trecho Lameirão, em janeiro de 1964 Foto: Arquivo / Agência O Globo – 23/01/1964 Pular PUBLICIDADE O então governador do estado da Guanabara, Negrão de Lima, durante a inauguração da adutora do Guandu, em abril de 1966. Primeira etapa da maior estação de tratamento de água do mundo foi inaugurada em agosto de 1955. De lá pra cá, a despreocupação com sua manutenção, falta e investimentos e apadrinhamentos políticos trouxeram à Cedae a maior crise de sua história Foto: Arquivo / Agência O Globo – 04/04/1966 Inauguração do conjunto de obras da Cedag, a atual Cedae. Após descerrar a placa de inauguração, o governador Chagas Freit acionou a Nova Elevatória de Alto Recalque do Sistema Gunadu, pondo em funcionamento um grande complexo para aumentar o abastecimento de água da cidade em um bilhão de litros diários Foto: Eurico Dantas / Agência O Globo – 26/07/1974 O governador Chagas Freitas, ao lado do cardeal Eugênio Sales, inaugurou a nova estação de tratamento do Gaundu, que aumentava de 24 mil para 40 mil litros por segundo. A promessa era de adequar a capacidade do sistema, visando garantir até o ano 2000, o abastecimento do Rio e dos municípios da Baixada Fluminense Foto: Arquivo / Agência O Globo – 10/10/1982 Estação de Tratamento de Água (ETA), às margens da Lagoa de Juturnaíba, em Araruama. Os primeiros passos efetivos para a privatização da Cedae foram dados em 1998 com o começo da concessão do serviço como aconteceu na Região dos Lagos e outras cidades do estado Foto: Divulgação / Prolagos Reforma do reservatório da Cedae com capacidade para 17 milhões de litros de água, em Bangu, Zona Oeste do Rio, construído para regularizar abastecimento para 150 mil pessoas. As primeiras comunidades a serem beneficiadas são as de Parque Real, Parque Liberal e Santo André Foto: Zeca Fonseca / Agência O Globo – 08/09/1999 Pular PUBLICIDADE Revolta com a demora da Cedae para atender reclamações sobre o entupimento da rede de esgoto da Rua Mello Matos, na Tijuca — a primeira queixa, de uma série de 60 aproximadamente, foi feita no início de setembro de 2000 Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo – 27/09/2000 Esgoto bruto da Cedae lançado na Lagoa Rodrigo de Freitas por uma galeria pluvial da Prefeitura perto do acesso ao Túnel Rebouças Foto: Ricardo Leoni / Agência O Globo – 23/03/2000 O então diretor de operações especiais da Cesar, Fábio Guedes, bebe água tratada do Guandu Foto: Wania Corredo / Agência O Globo – 15/11/2001 Theophilo Benedicto Ottoni Netto, professor do Laboratório de Hidrologia da UERJ; Adactor Benedicto Ottoni, também da UERJ; Fernado Pelegrino, presidente da Faperj; Flávio Guedes, diretor da Cedae; e Alberto Gomes, presidente da estatal, observam maquete de projeto que visa a diminuir a poluição no Guandu, em foto de novembro de 2001, durante o governo de Anthony Garotinho Foto: Gabriel de Paiva /   Alcione Duarte, diretor de Tratamento e Produção, exibe amostras da água captada pela Cedae do rio Guandu, em janeiro de 2003, quando as chuvas de verão deixaram a água do rio cheia de lama e lixo, dificultando o tratamento e reduzindo a capacidade da estação Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo – 30/01/2003 Pular PUBLICIDADE Estação de tratamento de água (ETA) do Guandu, em Nova Iguaçu, é a principalbarragem principal do rio Paraíba do Sul Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo – 29/10/2015 Estação atende os municípios de Nilópolis, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Belford Roxo, São João de Meriti, Itaguaí, Queimados e Rio de Janeiro Foto: Fábio Rossi / Agência O Globo Estacão de tratamento Alegria, no Caju Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo Estação de Tratamento em São Gonçalo ainda em obras Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo – 03/03/2021 Inaugurada em 1955, a ETA Guandu é a maior estação de tratamento de água do mundo, reconhecida, inclusive, pelo Livro dos Recordes Guinness Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo – 16/11/2017 Pular PUBLICIDADE Em foto de novembro de 2001, a ETA do Guandu, quando teve problemas com a qualidade e o abastecimento de água devido à poluição do rio. Da água fornecida pela estatal, 75% são para o município do Rio Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo – 16/11/2001 Cedae dá lucro, mas investimento é deficitário. A maior estação de tratamento de esgoto do Estado, a ETE Alegria, inaugurada em 2009, já tem parte do maquinário fora de operação por falta de manutenção e modernização Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo – 05/06/2019 Por falta de manutenção e modernização das três centrífugas, apenas uma está em operação, na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria Foto: Divulgação / Agência O Globo Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu, dois dos cinco motores responsáveis pelo bombeamento da água à espera de manutenção, depois de anos sem funcionar Foto: Hélio Marcos Ossola Cordeiro / Divulgação – 30/04/2019 Esgoto na represa do Rio Guandu, onde a água distribuída pela Cedae é captada Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo – 15/01/2020 Pular PUBLICIDADE Professores da UFRJ divulgaram nota alertando que "há uma ameaça real à segurança hídrica da Região Metropolitana do Rio", devido ao despejo de esgoto nos rios dos Poços, Queimados e Ipiranga, afluentes que desaguam a menos de 50 m da captação da Cedae Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo Caso de polícia. Polícia Militar fez guarda em frente à Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu à espera do então governador Wilson Witzel, durante a crise da geosmina, dois meses antes da pandemia do coronavírus Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo – 23/01/2020 Estação de Tratamento de Água (ETA) do Guandu. Cedae obteve em 2019 lucro líquido recorde de R$ 832,3 milhões. Dinheiro, no entanto, não é reinvestido no sistema Guandu, segundo especialistas ouvidos por O GLOBO Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo – 16/11/2017 A última crise da companhia aconteceu pelo cor escura e cheiro e gosto fortes. A Cedae culpou a geosmina pelos problemas causados à população Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo – 16/11/2017 Bombas pulverizam o carvão ativado em um dos tanques da ETA, em janeiro de 2020, para combater a crise da geosmina Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo – 23/01/2020 Pular PUBLICIDADE Imagem aérea da Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu mostra tanques com água esverdeada, misturada com lama, em janeiro de 2020 Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo – 16/01/2020 O leilão da companhia foi realizado em São Paulo e foi a maior concessão do segmento já realizada no país. A estatal fluminense foi fatiada em quatro blocos compostos, ao todo, por 35 municípios do Rio de Janeiro. A empresa vai manter a produção de água, e os demais serviços serão oferecidos pela iniciativa privada por um prazo de 35 anos.

Estão presentes o presidente Jair Bolsonaro; além do ministro da Economia, Paulo Guedes; o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho; o governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro; o secretário da Casa Civil do Rio, Nicola Miccione; e o presidente do BNDES, Gustavo Montezano.

Quatro consórcios Quatro consórcios apresentaram propostas pelos lotes.  Na primeira rodada, serão abertos os envelopes de cada uma das 12 ofertas feitas pelos grupos na disputa, e todos os blocos receberão propostas.

Vence o certame quem oferecer o maior valor de outorga pelo bloco. O edital da licitação fixou valores mínimos para cada lote que somam R$ 10,6 bilhões, e haverá mais de um proponente em todos os blocos.

Respostas sobre a concessão da Cedae : Tire as suas dúvidas sobre o leilão

Disputam os ativos os consórcios formados por Aegea (que tem o fundo soberano de Cingapura e a Itaúsa entre seus acionistas), Iguá Saneamento (que tem participação do BNDESPar e do fundo de pensão canadense CPP Investments na companhia), Redentor (liderado pela Equatorial Energia), e Rio de Janeiro Mais (capitaneado pela BRK, maior operadora privada do país atualmente e controlada pela gestora canadense Brookfield).

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Leilão da Cedae Foto: Arte O Globo Em cada um dos lotes, caso a diferença entre a proposta mais bem colocada e a segunda melhor oferta seja menor que 20%, os consórcios em disputa apresentam novos lances.

A concessão da companhia de água e esgoto prevê investimentos privados de R$ 30 bilhões ao longo dos 35 anos de contrato. Os novos operadores terão a obrigação de universalizar a coleta e o tratamento de esgoto e o fornecimento de água para as 35 cidades, que hoje têm ao todo 13 milhões de habitantes.

A previsão é que as concessionárias assumam os serviços até o início do segundo semestre.

A Cedae passará por uma reestruturação que deverá reduzir seu quadro de funcionários após o leilão, segundo o secretário da Casa Civil do Rio de Janeiro, Nicola Miccione. Ele afirma, também, que o governo deverá investir o valor a ser arrecadado com as outorgas em projetos de infraestrutura no estado.

Dos R$ 10,6 bilhões de outorga mínima exigidos, 80% vão ficar com o estado. Dos eventuais ágios, metade será destinada aos cofres públicos estaduais e o restante, aos municípios.

Leilão da Cedae Foto: Arte O Globo Ranking do saneamento básico : Estado do Rio tem quatro das dez cidades do país com pior tratamento de esgoto

PUBLICIDADE Os quatro blocos que serão ofertados têm perfis diferentes e devem despertar níveis de interesse distintos. O mais disputado deverá ser o Bloco 1, que inclui a Zona Sul do Rio e mais 18 municípios. A outorga mínima, de R$ 4 bilhões, é também a maior exigida entre os ativos do certame.

O Bloco 2 inclui Barra da Tijuca, Jacarepaguá e as cidades de Miguel Pereira e Paty do Alferes, e também é considerado atrativo por motivos similares, com a vantagem de que os municípios que fazem parte do bloco são vizinhos, diferentemente dos do Bloco 1. A outorga mínima exigida é de R$ 3,17 bilhões.

Estação de tratamento de esgoto da Cedae, no Rio Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo O Bloco 3, formado pela Zona Oeste e seis municípios, é o que exige a menor outorga mínima, de R$ 908 milhões. Já há uma concessão apenas para serviços de esgoto em operação na região. A concessionária é controlada por BRK e Águas do Brasil.

O Bloco 4 inclui as regiões Centro e Norte do Rio e mais oito cidades com alta densidade demográfica, como Nova Iguaçu, Belford Roxo, Duque de Caxias e Nilópolis. A outorga mínima é de R$ 2,5 bilhões.

Comitiva recebida com ovadas A comitiva do presidente Jair Bolsonaro foi recebida com ovadas na tarde desta sexta-feira no leilão. No grupo, estavam o senador Flávio Bolsonaro, os ministros Paulo Guedes, Ricardo Salles e Fábio Faria, além dos deputados federais Hélio Negão e Carla Zambelli. Não foi possível identificar se alguma das autoridades foi atingida. O presidente Bolsonaro acessou uma entrada auxiliar para desviar dos manifestantes que o esperavam com gritos de “Fora Bolsonaro“.

PUBLICIDADE * Colaborou Gustavo Schmitt