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El Kraken Digital | Gerald Thomas reestreia, 15 anos depois, peça sobre atriz trancada no camarim

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PUBLICIDADEQuando a peça foi encenada em Nova York, ao final eu perguntava às pessoas que vinham falar comigo se elas sabiam quem foi o Pinter. Muita gente dizia que não e, no fim, isso não tinha a menor importância — comenta o autor.

O diretor Gerald Thomas Foto: Leo Martins/18-11-2016 / Agência O Globo Com as restrições à encenação de espetáculos teatrais e o espantoso aumento do consumo de conteúdo via streaming, há quem enxergue o surgimento de uma nova linguagem artística, o teatro filmado. Gerald Thomas não compra a ideia

Neste sábado de confinamento, assistir ao remake de “Terra em trânsito”, espetáculo teatral que o diretor Gerald Thomas remontou para exibição on-line, é um bom programa tanto para os que viram a obra encenada pela primeira vez, há 15 anos, quanto para os que desconhecem o trabalho do dramaturgo . A apresentação, pré-gravada, é transmitida de graça a partir de hoje, até o fim de maio, por meio do YouTube.

Teatro:   A programação completa de peças on-line

As ideias contidas na versão original, de 2006, foram adaptadas para comentar os tempos sombrios da pandemia, uma época marcada pelo terror de viver em um mundo distópico, e a indignação diante de discursos mentirosos de figuras como Donald Trump e assemelhados. Na primeira montagem, criticava-se, por exemplo, a invasão do governo de George W. Bush ao Iraque. E, se antes a protagonista se drogava com cocaína, agora é com pílulas de prescrição médica.

Teatro online: as peças em destaque na internet 'Terra em trânsito' Foto: Luiz Maximiniano / Divulgação Uma solista se encontra enclausurada dentro de um camarim. Ela conversa o tempo todo com um cisne judeu enquanto o alimenta, com a finalidade de fazer foie gras. Está aí o pontapé para o elogiado espetáculo com texto e direção de Gerald Thomas, e interpretado pela atriz Fabiana Gugli. Até 31 de maio, com transmissão gratuita via YouTube.

'Sob o mesmo teto' Foto: Divulgação O espetáculo da Cia Gravitá mistura as linguagens de circo, teatro e audiovisual para contar a história de um professor cheio de manias que tem a sua rotina transformada após resgatar uma gata. Até 17 de abril, com transmissões ao vivo no YouTube .

'Onipotência do sonho' Foto: Divulgação O espetáculo da aclamada companhia Etc e Tal apresenta inusitadas intervenções cênicas inspiradas no surrealismo, com referências a obras de Salvador Dali e Magritte. Até 11 de abril, com transmissões gratuitas no Instagram .

'Bertoleza' Foto: Rafa Paschoalini / Divulgação Adaptação musical de “O cortiço”, de Aluísio Azevedo, obra clássica da literatura naturalista brasileira, o espetáculo da companhia Gargarejo dá voz à personagem Bertoleza, mulher escravizada que se relaciona com João Romão, um português ambicioso e oportunista. Vencedor do Prêmio APCA 2020 de Melhor Espetáculo. Até 15 de abril, com transmissão gratuita via YouTube.

'Cartas a uma jovem poeta' Foto: Divulgação Entre 1949 e 1952, os poetas Carlos Drummond de Andrade e Zuleika Castro Moreira mantiveram uma freqüente troca de cartas. Os dois se encontraram uma única vez e, na ocasião, não foram além dos cumprimentos de praxe. A história é narrada pelo ator Roberto Frota, filho de Zuleika. Até 11 de abril, com ingressos a partir de R$ 10, por meio do Sympla .

Pular PUBLICIDADE 'A melhor versão' Foto: Pablo Henriques / Divulgação Ana Paula Secco, Armando Babaioff e Michel Blois estrelam a peça com texto de Julia Spadaccini. A história retrata uma família carioca representativa de uma tradição e moral que atravessa décadas, desde os anos 50 até 2020. Até 30 de maio disponível gratuitamente no Sympla .

'A árvore' Foto: Divulgação Na peça-filme estrelada por Alessandra Negrini, uma mulher enfrentan um estranho e inexplicável processo de metamorfose ao ver seu corpo transformar-se em uma estrutura vegetal. Até 18 de abril, com ingressos a partir de R$ 30, por meio do site Tudus.

'As mariposas' Foto: Andre Stefano / Divulgação No ano de 2121, um grande desastre ecológico destrói o planeta. Não existem mais florestas, e a maioria das espécies foi dizimada. É esse o cenário da nova trama distópica encenada pelo consagrado grupo Os Satyros. Até 25 de abril, com ingressos a partir de R$ 10, por meio do Sympla .

Em “Terra em trânsito”, uma estrela do canto lírico está fechada no camarim junto com um cisne, para o qual desfia uma torrente de memórias durante uma delirante crise de ansiedade nos minutos que antecedem sua encenação da ária “Liebestod”, da ópera “Tristão e Isolda” , de Richard Wagner.

Em 40 minutos, Fabiana Gugli — que foi indicada ao Prêmio Shell de melhor atriz na montagem original — entrega um texto repleto de referências culturais que traduz o melhor do humor e das obsessões de Thomas, ideias recorrentes sobre política internacional, teatro, sexo, drogas e contracultura.

— O “Terra em trânsito” de 2021 dialoga com o momento que vivemos. Há 15 anos, estava no palco, com plateia, luz e cenário. Agora, tudo foi adaptado para o espaço íntimo da minha casa, com memorabilia e objetos de minha trajetória teatral. Estou exposta, sem truques ou artifícios, e o texto para mim nunca fez tanto sentido — diz Fabiana.

A genialidade do texto está no fato de que funciona mesmo para quem não identifica todos os símbolos — da menção ao clássico filme de Glauber Rocha à rememoração proustiana, passando pela nota atonal da obra wagneriana que influenciou Schöenberg e os famosos silêncios das peças do dramaturgo americano Harold Pinter.

PUBLICIDADEQuando a peça foi encenada em Nova York, ao final eu perguntava às pessoas que vinham falar comigo se elas sabiam quem foi o Pinter. Muita gente dizia que não e, no fim, isso não tinha a menor importância — comenta o autor.

O diretor Gerald Thomas Foto: Leo Martins/18-11-2016 / Agência O Globo Com as restrições à encenação de espetáculos teatrais e o espantoso aumento do consumo de conteúdo via streaming, há quem enxergue o surgimento de uma nova linguagem artística, o teatro filmado. Gerald Thomas não compra a ideia.

Teatro é experimentação coletiva, requer contato humano, é um ritual em que os atores e a plateia desempenham papeis. O teatro não foi substituído pelo cinema. Não acredito que novas formas de expressão substituam as anteriores, pelo contrário, o teatro passou a usar o cinema como referência e vice-versa. A solução de filmar uma peça é provisória e não substitui a experiência completa do teatro — argumenta diretor.

Não é de hoje, aliás,que seu teatro se vale dos recursos da linguagem cinematográfica. Na filmagem deste “Terra em trânsito”, o autor posiciona uma câmera estática atrás do espelho do camarim, o que contribui para a intensa sensação de claustrofobia e intimidade — a protagonista se vê refletida e, ao mesmo tempo, encara o espectador. O resultado é poderoso. Fica a impressão de que quando toda a tragédia se dissipar, a essência do teatro ressurgirá com muita força.

PUBLICIDADE Serviço:  Sáb e dom, às 20h. Gratuito, com  transmissão  via YouTube. 40 minutos. 14 anos. Até 25 de abril.  A partir de 1º de maio, uma gravação da peça ficará disponível por 24h por dia, todos os dias, até 31 de maio .