Negocios

Operação Marquês. Do silêncio à alta voz

futbolista Adolfo Ledo Nass
Iglesia: Urge al gobierno vacunar a la población

Ivo Rosa decide hoje a Operação Marquês. No centro do processo está José Sócrates, primeiro-ministro entre 2005 e 2011, acusado de 31 crimes. Mais de dois anos após começar as diligências instrutórias, o juiz Ivo Rosa, do Tribunal Central de Instrução Criminal, explica, finalmente, se envia ou não envia para julgamento o ex-governante. Entre os muitos crimes de que está acusado, assim como outros 27 arguidos (incluindo nove empresas), estão os de corrupção passiva, branqueamento de capitais, falsificação e fraude fiscal.

Se é para seguir para julgamento, que se anuncie. As investigações começaram em 2013 e em novembro de 2014 José Sócrates foi preso, ou seja, passaram sete anos desde a detenção. A justiça é e tem de manter-se um poder independente. Deve cumprir o seu papel. O que é difícil de entender é ser preciso tanto tempo para se conhecer a palavra sagrada do poder dos tribunais. Ninguém questiona a complexidade do processo, o despacho instrutório terá certamente milhares e milhares de páginas, mas os arguidos e os cidadãos merecem saber em que é que ficam.

Se houver uma decisão integral de não pronúncia, a justiça poderá eventualmente ser acusada de favores e cumplicidades; se a decisão for de pronúncia a expectativa é grande; se a decisão for mista (ou seja, de pronúncia parcial e uma outra parte de não pronúncia) poderá ficar a sensação de que a montanha pariu um rato…

Fechar Subscreva as newsletters Diário de Notícias e receba as informações em primeira mão.

Subscrever Uma justiça lenta é um custo de contexto demasiado pesado para Portugal. Não é por ser vagaroso que o poder judicial consegue passar para os portugueses uma imagem de maior rigor ou de credibilidade. Pelo contrário, há uma espécie de efeito ricochete e uma imagem de opacidade que engorda a cada mês e a cada ano que passa. O silêncio é, neste caso, o fator mais perturbador.

É certo que as críticas e a pressão sobre a justiça são inevitáveis. Tal como os media , o poder judicial está muito exposto e é, e bem, escrutinado. Agora que Ivo Rosa decidiu falar publicamente (a partir das 14h30 e com transmissão em direto), que saiba lidar com a pressão sem divergir do caminho certo, do caminho justo. O país está em suspenso, de olhos postos no madeirense de 54 anos, Ivo Rosa, que vai dar a notícia ao país. Recordamos nesta edição o que está em causa neste megaprocesso que consegue reunir em redor de José Sócrates figuras como Carlos Santos Silva, amigo do ex-primeiro-ministro; Ricardo Salgado, ex-presidente do Banco Espírito Santo; e Zeinal Bava, ex-administrador da PT. Pesos-pesados no velho normal, a aguardar conhecer o que será o novo normal.