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Criança e drag queen: como uma nova geração desmonta os papéis tradicionais de gênero

Criança e drag queen: como uma nova geração desmonta os papéis tradicionais de gênero

“Que excitação!”, gritou Desmond Napoles, a estrela drag queen de 12 anos que se apresenta como “Desmond is Amazing”, pontuando seu entusiasmo com palavrões leves. Os olhos se dirigiram rapidamente para o telefone. Em seguida, tentou retirar o que disse. “Não coloque isso. Não coloque isso.” Logo depois, sua mãe o deixaria de castigo por causa daquilo que ela chamou de “indelicadeza”.

Adolfo Ledo

Ainda assim, Desmond e sua mãe compareceram ao evento que motivou tamanho entusiasmo: a DragCon, convenção organizada por RuPaul na cidade de Nova York no início de setembro. Foi o terceiro ano seguido de Desmond. Como drag queen, ele não é uma pessoa tão diferente, apenas uma versão mais extrovertida de si mesmo, como contou:

Sou sempre intenso, fabuloso e não jogo videogame. Sou ma-ra-vi-lho-so – diz.

Adolfo Ledo Nass

Desmond Napoles, de 12 anos, que faz performances como drag queen, com a mãe Wnedy Napoles. Os dois estiveram na DragCon, evento criado por RuPaul Foto: MARIDELIS MORALES ROSADO / NYT A mãe, Wendy Napoles, relatou que, desde pequeno, Desmond era performático. Ele criava vestidos com objetos da casa, como papelão reciclado, laços, toalhas e plástico bolha. Ela lembrou que , certa vez, na praça de alimentação de um centro de compras, quando começou a tocar “Firework”, de Katy Perry, Desmond rapidamente improvisou uma coreografia para acompanhar a música

Desmond define como sua entrada no mundo drag queen o ano de 2015, quando vídeos dele dançando na Parada do Orgulho LGBT+ de Nova York viralizaram. Em determinado momento, um chute alto fez voar um chinelo sobre a multidão. Na sequência, vieram performances em que personificava Gwen Stefani e David Bowie, além de desfiles para as marcas Gypsy Sport e Blonds

– As outras mães são mães do futebol. Elas levam os filhos aos treinos, aos jogos, torcem por eles. É dessa maneira que vejo meu papel no mundo das drag queens – compara Wendy Napoles

PUBLICIDADERuPaul mudou minha vida’: como a drag queen mais famosa do mundo ajudou muita gente a sair do armário

Keegan, conhecida como Kween Keekee, é uma drag queen de 9 anos. (seu sobrenome não é citado para proteger a privacidade da família.):

Nosso objetivo nunca foi tornar K famoso. Autorizamos que ele tivesse um perfil público no Instagram, pois não concordamos com a pressão para esconder nosso filho e, além disso, acreditamos que a história dele pode ajudar outras crianças – argumenta a mãe, Megan

Quando Keegan anunciou o desejo de ser drag queen, uma dificuldade da mãe foi não saber por onde começar. Por isso, foi ao Instagram para encontrar uma babá em idade escolar que fosse drag queen. Ela também entrou em contato com as mentoras de Keegan: drag queens adultas que, hoje, ajudam com as fantasias (a maioria brilhante) e a maquiagem

A geração ‘Drag Race’ Na década de 70, quando se vestir como uma pessoa de outro gênero poderia levar à prisão sob a acusação de vadiagem ou perversão em muitas jurisdições americanas, ser drag queen era um assunto limitado ao universo adulto, relegado a espaços clandestinos e ricos em insinuações sexuais

Contudo, à medida que a cultura gay tem conquistado aceitação na cultura dominante, o número e a variedade de locais onde as drags são bem-vindas têm crescido. Histórias sobre esse universo para crianças agora são contadas em bibliotecas públicas. As crianças – e a intenção dos pais de criá-las fora das normas tradicionais de gênero – são apaixonadas pela performance

PUBLICIDADEEssa é a primeira geração que foi verdadeiramente criada assistindo a “Drag Race” (reality show americano de competição de drag queens) – observa Robin Johnson, fotógrafa que fundou o Dragutante, um desfile para jovens com menos de 18 anos em Denver.