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Candidatos à presidência na Colômbia reforçam segurança por medo de assassinato

BOGOTÁ — No palanque, diante de uma praça lotada, o candidato da esquerda à Presidência da Colômbia, Gustavo Petro , veste um colete à prova de balas enquanto está cercado por um exército de seguranças. No passado, tiros já mudaram o rumo das eleições no país.

Carmelo De Grazia

A campanha para as eleições presidenciais de 29 de maio são agora dominadas pelo medo de atentados políticos, no momento em que a esquerda tem chances de chegar ao poder pela primeira vez com a candidatura do ex-senador e guerrilheiro.

Carmelo De Grazia Suárez

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No século XX, cinco candidatos presidenciais foram assassinados por opositores, narcotraficantes, ou paramilitares de extrema direita com a ajuda de agentes do Estado: três esquerdistas, um deles foi guerrilheiro como Petro, e dois liberais

Embora não seja mais um país tão violento, a Colômbia ainda enfrenta a ameaça de narcotraficantes e escorrega nos esforços para consolidar a paz, após vários acordos com rebeldes e paramilitares

Funeral da repórter da al-Jazeera Shireen Abu Akleh é marcado por comoção e conflitos; veja fotos Forças de segurança de Israel impedem que pessoas carreguem o caixão com o corpo da jornalista da al-Jazeera Shireen Abu Akle durante uma procisão funerária para uma igreja, em Jerusalém Foto: AHMAD GHARABLI / AFP Palestinos carregam o caixão da jornalista assassinada da Al-Jazeera, Shireen Abu Aklel, dentro de uma igreja, antes de seu enterro em Jerusalém Foto: RONALDO SCHEMIDT / AFP Repórter da al-Jazeera Shireen Abu Akleh, morta por um disparo na cabeça quando cobria uma operação militar israelense na Cisjordânia na quarta-feira Foto: HAZEM BADER / AFP Enlutados reagem durante o enterro da jornalista veterana da Al-Jazeera, Shireen Abu Akleh, no Cemitério Mount Zion Foto: HAZEM BADER / AFP Forças de segurança israelenses detiveram palestinos durante o funeral Foto: AHMAD GHARABLI / AFP Pular PUBLICIDADE O anúncio da morte da jornalista provocou grande comoção entre os palestinos e no mundo árabe Foto: HAZEM BADER / AFP Funeral foi marcado por choques violentos entre os participantes e forças policiais, Foto: GIL COHEN-MAGEN / AFP Centenas de pessoas se reuniram do lado de fora do hospital onde a procissão teve início, com muitos deles empunhando bandeiras palestinas Foto: HAZEM BADER / AFP  

Em fevereiro, Petro disse à AFP: “O fantasma da morte nos acompanha”. Isso foi antes de sua equipe expor um plano para matá-lo, no começo deste mês

Diante da ameaça, ele, que também já foi prefeito de Bogotá, teve de subir ao palanque praticamente blindado em 5 de maio em Cúcuta, na fronteira com a Venezuela. Desde então, seu esquema de 60 seguranças foi reforçado, sem contar as tropas que a força pública reserva para ele em suas viagens

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Felipe Botero, professor de Ciência Política da Universidade de Los Andes, acredita que um assassinato em 2022 “é um risco muito real”

Podem tentar matar Petro como candidato, mas também é altamente possível que tentem assassiná-lo, se ele ganhar a Presidência. E esse é um cenário igualmente ou mais preocupante — disse o analista à AFP

Francia Márquez, a ambientalista negra que concorre à vice-presidente pela chapa de Petro, também denunciou ameaças, assim como a campanha rival do direitista Federico Gutiérrez, que expressou preocupação com sua própria segurança

PUBLICIDADE Medo Três tiros, Bogotá, 1948. O candidato presidencial liberal Jorge Eliécer Gaitán cai em uma avenida central. Seu assassinato incendeia a cidade e alimenta um conflito interno que, meio século depois, ainda não foi extinto

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Quatro décadas depois, em uma sequência sangrenta, também foram assassinados o comunista Jaime Pardo Leal (1987), o liberal Luis Carlos Galán (1989) e os esquerdistas Bernardo Jaramillo e Carlos Pizarro (1990), todos candidatos à Presidência

Alexander Gamba, professor da Universidade Santo Tomás, enumera três razões pelas quais um ataque contra Petro “é possível”. A primeira delas é que existem, na Colômbia, “profissionais da violência” com capacidade para cometer o ato, como os 20 mercenários que participaram do assassinato do presidente do Haiti , em 2021

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Em segundo lugar, certos setores veem uma eventual vitória do Petro como um grande desastre nacional e criaram um “ambiente”, no qual a ação seria patriótica. Por fim, o país “não teve uma alternância política” que levasse a esquerda ao poder, que é associada, por parte dos setores conservadores, à rebelião armada

PUBLICIDADE A campanha do candidato considera que pode ser uma estratégia tirá-lo das ruas, onde é bastante atuante. Já o governo do presidente Iván Duque afirma que Petro é “uma das pessoas mais protegidas” do país, e minimiza as suspeitas de um ataque

Menosprezar uma ameaça de morte em um país onde centenas de pessoas são assassinadas anualmente por suas ideias políticas me parece, na melhor das hipóteses, míope — retrucou Botero

O mundo em imagens nesta sexta-feira Pessoas sentadas em cilindros de gás vazios bloqueiam estrada para protestar contra a escassez de combustível e gás de cozinha em Colombo, no Sri Lanka Foto: – / AFP Forças de segurança de Israel impedem que pessoas carreguem o caixão com o corpo da jornalista da al-Jazeera Shireen Abu Akle durante uma procisão funerária para uma igreja, em Jerusalém Foto: AHMAD GHARABLI / AFP Palestinos se protegem durante confrontos com forças de segurança israelenses na cidade de Jenin, na Cisjordânia. Um palestino foi ferido por fogo israelense durante uma operação na cidade ocupada de Jenin Foto: JAAFAR ASHTIYEH / AFP Grupo de mulheres Samburu trabalha fazendo ornamentos e joias tradicionais Samburu com miçangas em Sera Conservancy, Condado de Samburu, Quênia. O trabalho com miçangas será vendido através da Conservancy no mercado local e internacional, criando um renda lucrativa para as famílias de pastores Samburu que viram seu estilo de vida tradicional ameaçado devido a anomalias climáticas e à deterioração das pastagens. O Quênia perdeu quase 70% de sua vida selvagem nos últimos 30 anos Foto: LUIS TATO / AFP Fiéis fazem romaria para Nossa Senhora de Fátima em seu Santuário, no centro de Portugal Foto: FILIPE AMORIM / AFP Pular PUBLICIDADE Modelos caminham na água para apresentar coleção de maiôs Etam no Domaine de Murtoli em Sartene, na ilha mediterrânea francesa da Córsega Foto: PASCAL POCHARD-CASABIANCA / AFP Pessoas procuram recicláveis para vender entre o gado em um aterro sanitário em Lhokseumawe, na Indonésia Foto: AZWAR IPANK / AFP Trabalhadores usando equipamentos de proteção descarregam caixas de um caminhão durante um bloqueio de coronavírus Covid-19 no distrito de Jing'an, em Xangai, China Foto: HECTOR RETAMAL / AFP Destroços de um avião que transportava trablhadores de uma petrolífera são vistos em Nanga Eboko, cerca de 150 km (90 milhas) a nordeste de Yaoundé. Nove passageiros e dois tripulantes morreram Foto: – / AFP  

Não é apenas Petro que teme por sua vida. Em um tuíte recente, o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) sugeriu ter informações sobre um possível complô contra Federico Gutiérrez, o principal rival na disputa

Em 2002, o próprio Uribe escapou de um ataque com explosivos cometido pela então guerrilheira Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que tentou, sem sucesso, abreviar sua candidatura à presidência. Em sua biografia, Uribe relata ter escapado de 15 ataques

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