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'PEC do Pazuello' tem objetivo de 'evitar mau uso dos militares', diz ex-ministro Aldo Rebelo

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PUBLICIDADE As Forças Armadas arcarão com as omissões na Saúde e o descontrole da pandemia?

É evidente que os erros na gestão da crise e da pandemia vão recair sobre o presidente. Ele que trocou o ministro várias vezes, ele que resistiu às ofertas de vacina, que não respeitou a ciência e os especialistas. Isso deve ser de responsabilidade do presidente. Não deve ser dos militares. O Pazuello não estava comandando uma unidade militar, ele deve responder como ministro da Saúde. Por mais que afete a imagem das Forças Armadas, o ônus vai se abater sobre Bolsonaro

RIO – Ex-ministro da Defesa do governo Dilma Rousseff (PT), Aldo Rebelo defendeu, em entrevista ao GLOBO, a chamada “PEC Pazuello“, Proposta de Emenda à Constituição que impede militares da ativa de assumirem cargos no governo.

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Apesar de ameaças do presidente Jair Bolsonaro, Rebelo diz não ver risco de que as Forças Armadas embarquem numa tentativa de ruptura institucional e que, embora a pandemia afete a imagem de militares, o ônus ficará com o chefe do Executivo.

Um dos objetivos da PEC que barra militares da ativa no governo é frear a politização nos quartéis. Como o senhor vê a alta participação de militares na atual gestão?

A presença dos militares é necessária em determinados setores estratégicos do governo federal, como no Ministério da Defesa, no Gabinete de Segurança Institucional e em funções técnicas específicas. O objetivo da PEC é disciplinar, estabelecer parâmetros e determinar quais são essas funções em que os militares são essenciais, e em quais podem ser usados politicamente para partidarizar as Forças Armadas. É justamente para regular e evitar o mau uso das Forças, como acontece no atual governo. Eu não creio que o problema esteja na participação deles no governo, mas o uso para finalidades político-partidárias. O problema é termos um militar da ativa que sobe em palanque para fazer campanha de um potencial candidato à Presidência, como ocorreu no caso do ministro Pazuello.

 

 

Na contramão desta PEC, Bolsonaro assinou um decreto recente que libera a militares da ativa em cargos de natureza civil por tempo indeterminado. Há uma militarização da política?

A maior participação é de militares da reserva. Os da ativa participam em proporção menor. Com o alto número de militares no governo e os constantes acenos, o presidente Bolsonaro tem procurado incorporar o prestígio das Forças Armadas ao seu projeto político-eleitoral. As Forças são instituições de Estado, essenciais ao funcionamento da República.

A pressão pela PEC aumentou após o comando do Exército livrar o general Eduardo Pazuello de punição pela participação dele em um evento político ao lado do presidente. Como o senhor viu a decisão do Exército e seus desdobramentos?

A não punição do ministro Pazuello foi erro. Pareceu que a decisão constituiu um habeas corpus para a indisciplina. E dá a imagem de que a indisciplina é permitida dentro dos quartéis. Acredito que foi um erro, embora saiba que o comandante do Exército sofreu pressão para que isso não acontecesse. O comandante da Marinha é correto, disciplinado, e coerente com a sua missão nas Forças. Acho que a entrevista do comandante da Aeronáutica ao GLOBO representa muito a dificuldade dos comandantes de se situar em um momento difícil do país. Expor as Forças Armadas a uma disputa institucional não é uma coisa boa, nem para o Congresso, para a Presidência da República e, principalmente, para as Forças.

PUBLICIDADE A CPI da Covid revelou a participação de militares nomeados no Ministério da Saúde em supostos esquemas de corrupção na compra de vacinas. Como isso afeta a imagem das Forças Armadas?

É claro que isso de alguma forma prejudica a imagem. Prejudica se as Forças não se distanciarem das atitudes desses militares envolvidos em supostos casos de corrupção. A instituição deve se distanciar de possíveis integrantes, sejam eles da ativa ou da reserva, que possam ter cometido crimes. Os casos devem ser investigados, colocados a limpo e julgados. A CPI também não pode atribuir às Forças Armadas crimes de um integrante do Exército que não estava exercendo as funções no ministério em nome dos militares. Esses possíveis crimes não foram cometidos dentro dos quartéis, foram fora.

CPI da Covid: veja os principais acontecimentos na comissão até agora O representante no Brasil da empresa Davati, Cristiano Carvalho, afirmou em depoimento à CPI que o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, insistiu em buscar contato para compra da vacina. O PM Luiz Paulo Dominghetti, que afirma também ser representante da Davati, disse em seu depoimento que Dias teria pedido US$ 1 por cada dose de vacina que seria comprada. Carvalho, por sua vez, disse que foi avisado sobre  “comissionamento”. Indagado sobre suposta propina citada por Dominghetti, Carvalho disse que ele não falou em propina, mas usou o termo “comissionamento” Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado A diretora técnica da empresa Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades, mudou de postura e respondeu todas as demandas dos senadores na Comissão parlamentar. No dia anterior, a diretora optou pelo silêncio, utilizando HC concedido pelo STF. Emanuela Medrades disse que tentou reduzir o valor da dose da vacina após proposta de US$10. O valor final contratado foi de US$ 15. Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado Consultor do Ministério da Saúde William Amorim Santana disse à CPI da Covid ter visto erros em documentos de importação da Covaxin. Santana disse que, após a primeira versão do documento de importação, pediu por telefone a correção dos erros. Foto: Pedro França / Pedro França/Agência Senado Após prisão de ex-diretor do ministério, servidora Francieli Fantinato se nega a prestar juramento de falar a verdade na CPI. a ex-coordenadora do Plano Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde chegou à comissão com um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 08/07/2021 Ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias saiu preso da CPI da Covid. A ordem partiu do presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), após a revelação de áudios que desmentem a versão de Dias sobre o encontro acidental com o cabo da Polícia Militar Luis Paulo Dominghetti, em um restaurante de  Brasília, onde o policial diz que o ex-diretor pediu propina de um dólar por dose de vacina. Foto: Agência Senado Pular PUBLICIDADE A servidora do Ministério da Saúde Regina Célia Silva Oliveira, durante depoimento à CPI da Covid, disse não ter visto "nada atípico" no processo de compra da vacina indiana Covaxin e revelou que o contrato ficou um mês sem fiscal. Regina foi nomeada para acompanhar compra de vacina dois dias após irmãos Miranda levarem denúncia de irregularidades ao presidente Jair Bolsonaro Foto: ADRIANO MACHADO / REUTERS – 06/07/2021 Depois de negar suspeitas de integrar o 'gabinete paralelo', o empresário Carlos Wizard se negou a responder perguntas dos senadores na CPI e permaneceu em silêncio, amparado por decisão do STF Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 30/06/2021 Empresário Carlos Wizard chega para depor à CPI da Covid com placa alusiva a uma passagem bíblica. Ele será questionado sobre o incentivo à propagação de notícias falsas e medicamentos sem eficácia comprovada, como a hidroxicloroquina, além da interferência nas tratativas da compra de vacina, através do chamado 'gabinete paralelo' Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 30/06/2021 Deputado estadual Fausto Vieira dos Santos Junior (PRTB-AM) ataca presidente da CPI, o senador Omar Aziz (MDB-AM), que responde falando em prisão do adversário Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado Os senadores do grupo que reúne a maioria dos senadores na CPI da Covid saíram do depoimento dos irmãos Miranda sobre suspeitas de corrupção no contrato da Covaxin com uma certeza: diante dos novos fatos e linhas de investigação, será inevitável prorrogar a CPI Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE Deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) chega à CPI da Covid usando colete à prova de balas para depor. Ele é irmão de Luis Ricardo Miranda, o servidor público que denunciou irregularidades na compra da vacina indiana Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 25/06/2021 A cúpula da CPI da Covid pediu na manhã desta quinta-feira que seja dada proteção policial ao servidor Luis Ricardo Miranda, que trabalha na área de importação do Ministério da Saúde, e a seu irmão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF), para depoimento à CPI marcado para sexta-feira (24) Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado Contraditório. Deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), tido como chefe do 'gabinete paralelo', defendeu teses de que 'lockdown' e quarentena não têm impacto no controle da pandemia, apesar de citar a China como exemplo de país que reduziu números de casos sem vacina – omitindo justamente o isolamento rigoroso adotado pelos chineses Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Senadores prestam minuto de silêncio pelas mais de 500 mil vidas perdidas para a pandemia, na primeira sessão da CPI da Covid depois de os números oficiais ultrapassarem a trágica marca de meio milhão de mortos Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senad Relator Renan Calheiros (MDB-AL), que passou a usar o número oficial de mortos no lugar da sua placa nominal, adicionou a palavra "luto" no seu espaço à mesa diretora Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senad Pular PUBLICIDADE Ex-governador deixa sessão antes de concluir depoimento, por volta das 14h, fazendo uso do habeas corpus concedido a ele pelo Supremo Tribunal Federal Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo O filho do presidente e senador Flavio Bolsonaro (Patriota-RJ) tumultuou novamente a CPI da qual não é integrante, em defesa do governo do pai Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado Ex-governador do Rio Wilson Witzel é convocado para depor. Graças à decisão do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele não precisa se comprometer com a verdade, pode se reservar ao silêncio e estar acompanhado de advogado Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo O engenheiro e ex-secretário de Saúde do estado do Amazonas, Marcellus Campêlo, contradisse informações do ex-ministro Pazuello sobre a data em que o estado comunicou o ministério sobre colapso Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 15/06/2021 A microbiologista Natalia Pasternak, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), afirmou à CPI da foi categórica: 'Negacionismo do governo mata' Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 11/06/2021 Pular PUBLICIDADE Médico sanitarista Cláudio Maierovitch, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criticou a imunidade rebanho 'a custo de muitas mortes': 'estamos sendo tratados como animais' Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 11/06/2021 Com o habeas corpus concebido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), não compareceu à CPI da Covid, no senado: "Iremos recorrer dessa decisão", prometeu o presidente da Comissão, Omar Aziz (PSD-AM) Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 10/06/2021 O ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Élcio Franco, braço-direito do ex-ministro Eduardo Pazuello na pasta, afirmou à CPI que a gestão do general defendia o "atendimento precoce" para pacientes com a Covid-19 Foto: Edilson Rodrigues / Agência O Globo – 09/06/2021 Convocado pela segunda vez, ministro da Saúde Marcelo Queiroga disse orientar Bolsonaro sobre medidas de prevenção contra Covid-19, apesar de não ser levado em consideração: "Não me compete julgar os atos do presidente da República" Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 08/06/2021 Infectologista Luana Araújo, ex-secretária de enfrentamento ao coronavírus, chamou a discussão sobre o uso de medicamento sem eficácia para tratar o coronavírus de "delirante": "Essa é uma discussão delirante, esdrúxula, anacrônica e contraproducente" e reafirmou que "o Brasil está na vanguarda da estupidez" Foto: Waldemir Barreto / Agência Senado – 02/06/2021 Pular PUBLICIDADE A médica Nise Yamaguchi se negou a opinar sobre a gestão do presidente Bolsonaro na pandemia. A médica disse que aconselhava o Ministério da Saúde, mas negou a existência de 'gabinete paralelo', diante da insistência do relator Renan Calheiros Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 01/06/2021 O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que Brasil poderia ter sido pioneiro na imunização: "Já tínhamos as doses, já estavam disponíveis. E eu, muitas vezes, declarei em público que poderíamos ser o primeiro país a começar a vacinação" Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 27/05/2021 A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, também conhecida como 'capitã cloroquina' confirmou que houve orientação da Saúde para tratamento precoce contra a Covid-19 Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 25/05/2021 Pressionado por senadores a responder pela falta de oxigênio em Manaus, em janeiro, o ex-ministro da Saúde Pazuello disse que a responsabilidade era do governo estadual e da empresa fornecedora Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 20/05/2021 Sessão da CPI da Covid foi suspensa depois de Eduardo Pazuello passar mal durante um intervalo. A Comissão retormou depoimento do ex-ministro no dia seguinte Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 19/05/2021 Pular PUBLICIDADE Ex-ministro negou receber ordens diretas do presidente para usar cloroquina no combate à Covid-19 e destacou sua qualificação em logística e gestão: "Eu me considero sim, senhor, plenamente apto a exercer o cargo de ministro da Saúde" Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 19/05/2021 Assim como Fabio Wajngarten, ex da Comunicação, o ex das Relações Internacionais, Ernesto Araújo, negou falas polêmicas diante da CPI da Covid: "Eu não entendo nenhuma declaração que tenha feito como anti-chinesa", esquivou-se o ex-chanceler Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 18/05/2021 Presidente da CPI, Omar Aziz, alertou Ernesto sobre dizer a verdade e lembrou declarações anti-chinesas: "Na minha análise, Vossa Excelência está faltando com a verdade. Peço que não faça isso. Escreveu no seu Twitter, escreveu artigo" Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 18/05/2021 O gerente-geral da farmacêutica Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, revelou que o Brasil poderia ter recebido 4,5 milhões de doses a mais de vacinas contra a Covid-19 até março deste ano Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 13/05/2021 Bate-boca entre senadores Flávio Bolsonaro e Renan Calheiros marcou sessão em que Wajngarten foi ouvido. Flávio chamou Renan de vagabundo, que rebateu citando a investigação da rachadinha Foto: Marcos Oliveira e Leopoldo Silva / Agência Senado Pular PUBLICIDADE Depois da aparição de Flavio Bolsonaro, em defesa de Wajngarten, sessão da CPI da Covid foi interrompida Foto: Edilson Rodrigues / Agência O Globo – 12/05/2021 "Por favor, não menospreze nossa inteligência, ninguém é imbecil aqui", disse o presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM) a Wajngarten Foto: Edilson Rodrigues / Agência O Globo – 12/05/2021 Fabio Wajngarten se esquivou de respostas diretas e foi advertido pela mesa e acusado, pelo relator Renan Calheiros de mentir à CPI por negar declarações dadas à revista Veja – que logo divulgou áudios comprovando as declarações do ex-chefe da Secom Foto: Edilson Rodrigues / Agência O Globo – 12/05/2021 Relator Renan Calheiros trocou a placa que o identificava pelo número de vidas perdidas para a Covid-19 no Brasil Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 12/05/2021 O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, confirmou que esteve em uma reunião no Palácio do Planalto, no ano passado, na qual foi cogitada a possibilidade de mudar a bula da cloroquina para que o medicamento fosse indicado no tratamento da Covid-19: "não tem cabimento", classificou Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 11/05/2021 Pular PUBLICIDADE Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se esquivou de perguntas e não disse se concorda com Bolsonaro sobre uso de cloroquina: "Eu estou aqui na condição de testemunha, o senhor quer que eu emita juízo de valor", respondeu ao relator da CPI Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 06/05/2021 Omar Aziz (PSD-AM) ironizou a resposta do ministro da Saúde: "Até minha filha de 12 anos falaria sim ou não", sobre concordar com o uso da cloroquina, conforme prega o presidente Bolsonaro durante toda a pandemia Foto: Edilson Rodrigues / Agência O Globo – 06/05/2021 "Não há pressão nenhuma", disse Queiroga quando questionado sobre atuação do Planalto para incluir a cloroquina no tratamento de Covid-19. Foto: Jefferson Rudy / Agência O Globo – 06/05/2021 Ex-ministro da Saúde Nelson Teich afirmou que a falta de autonomia no ministério motivaram sua saída um mês depois de assumir o cargo Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado – 05/05/2021 Otto Alencar (PSD-BA) recomenda vacina 'antirrábica' a senador governista que defendeu cloroquina Foto: Jefferson Rudy / Jefferson Rudy/Agência Senado Pular PUBLICIDADE Governistas questionam o direito de a bancada feminina fazer perguntas sem integrar a CPI e geram bate-boca Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado – 05/05/2021 Ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta sustentou discurso de que seguiu sempre orientações ténicas à frente da pasta Foto: Jefferson Rudy / Agência O Globo – 05/05/2021 Embora setores das Forças Armadas já tenham mostrado incômodo com esta alta participação de militares, os atuais comandantes mostram alinhamento ao presidente. Quais podem ser os desdobramentos disso?

A presença dos militares da ativa representa uma instituição de Estado. Esse é o problema que pode impactar a hierarquia e a disciplina das Forças. O ministro da Defesa é de responsabilidade do presidente, deve lealdade política a ele. O que não pode fazer é transformar as Forças Armadas em correia de transmissão da Presidência da República. As Forças não estão subordinadas a interesses políticos ou partidários.

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É evidente que os erros na gestão da crise e da pandemia vão recair sobre o presidente. Ele que trocou o ministro várias vezes, ele que resistiu às ofertas de vacina, que não respeitou a ciência e os especialistas. Isso deve ser de responsabilidade do presidente. Não deve ser dos militares. O Pazuello não estava comandando uma unidade militar, ele deve responder como ministro da Saúde. Por mais que afete a imagem das Forças Armadas, o ônus vai se abater sobre Bolsonaro.

Bolsonaro já fez ataques ao Judiciário, ao Congresso e ameaçou a democracia com a possibilidade de um golpe. As Forças Armadas embarcariam em uma tentativa de ruptura?

Não vejo a menor possibilidade e nem qualquer intenção das Forças Armadas em embarcar em uma aventura de violação da Constituição. E julgo que as diatribes do presidente são demonstrações de fraqueza, de insegurança e não ameaças à democracia. Ele sequer tem a liderança para impor ao país qualquer aventura de força de imposição. É evidente que isso causa instabilidade, pois são palavras do presidente da República.